segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

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Photoshop pra que te quero

- Você não era moreno, de olhos verdes, cabelo liso, barriga de tanquinho, tórax torneado, com panturrilhas de Aquiles e 1,85m de altura?

- Não.

- Ué, mas você disse!

- Eu? Eu não.

- Porra, tava lá no seu álbum do orkut!

- Ah ta, mas eu não disse.


Bobo é quem acredita que aquele corpo de Deus grego hiper intelectualizado, trilingue e culto vai atender suas expectativas pessoalmente. Na verdade, esse seu Deus grego vai sentir muita falta da wikipédia, do translito e do google nas suas conversas corpo a corpo sobre o cotidiano, enquanto mal fala a própria língua, deixando escapar um "ném", "colega" e "jah eh" de vez em quando, pensa que Roma é um país, e seu cérebro dá nó tentando lembrar daquelas palavras difíceis de quatro sílabas que estão salvas no ctrl+v de seu computador até hoje. Seu pânceps peludo, ultra definido à base de cerveja, está contorcendo tanto os orgãos internos, que sua voz fica fina, enquanto estufa o peito tentando esconder que aquele bíceps de Ronnie Coleman, a barriga de Gustavo Kuerten e as pernocas de Raí em 1990 exibidos em seu corpo no orkut haviam consumido horas de pesquisa no google por tutorias de photoshop.

Não que isso seja a regra ou a exceção, mas qualquer um pode aparentar bonito ou inteligente na internet, que, aliás, alguns dizem ter sido inventada com objetivos militares. Eu não acredito. A minha versão resumida sobre o surgimento da internet seria algo mais ou menos assim: Um vagabundo qualquer, em um dia qualquer, em um lugar qualquer, desabafou: "Porra, to cansado de ser esse Zé ninguém. Vou criar uma maneira de fazer todo mundo acreditar que eu sou bonito, gostoso, inteligente, rico e poderoso"... PUF.

Ah, quase esqueci... Mulheres, sim. Os homens percebem quando vocês tiram fotos de biquine com a mão na cintura encolhendo a barriga e estufando o peito. O pescoço fica mais largo e pela quantidade de gordurinha sobrando no "abdome" suas costelas não deveriam aparecer, além da cara de praxe que diz "tira logo essa foto". Os braços cruzados sobre a região barrigal também é um clássico. É tão óbvio quanto o Jô Soares quando diz "Gente, eu conversei aqui..." (e dá uma pausa esperando a galera fazer o "aaaaaahhhhh").

Eu sou Léo, meu nome é Léo mesmo, não é Leonardo, nem Leandro, Leôncio, Leonor ou Leopoldo. É Léo. Deveria ter acento agudo no "é" como na minha certidão de nascimento, mas não colocaram em minha carteira de motorista.

Nesse blog vou tentar mostrar um pouquinho do que o Photoshop é capaz, apreciem com moderação.